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BC reduz taxa de juros para 5%, menor patamar da história

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Projeção é que a Selic encerre 2019 ainda mais baixa

BRASÍLIA E SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira reduzir a taxa básica de juros, a Selic, de 6% para 5,5% ao ano. O corte de 0,5 ponto percentual veio em linha com a expectativa do mercado, e o novo patamar é o menor da série histórica. O Copom também voltou a afirmar que há espaço para novas reduções.

Logo após a divulgação do Banco Central, o presidente Jair Bolsonaro destacou a decisão do Copom no Twitter, afirmando que, em seu governo, a economia está dando certo :

– Em nosso governo, pela segunda vez, a mais baixa taxa de juros da história do Brasil. É a economia dando certo.

O último corte da taxa de juros havia sido anunciado em 31 de julho, quando o BC reduziu a Selic também em meio ponto percentual, de 6,5% para 6%, depois de dez reuniões optando pela manutenção da taxa. Na ocasião, o BC fez referência ao avanço das reformas no Congresso, em especial a da Previdência, e sinalizou que poderia continuar a afrouxar o ciclo de juros.

Em comunicado, o comitê avaliou que a inflação está num nível confortável, ponderou ainda que o contexto de desaceleração da economia global, aliado à baixa de juros nas principais economias, vem produzindo um ambiente relativamente favorável às economias emergentes, onde se encaixa o Brasil. Ainda assim, o Copom evidenciou que o cenário externo segue incerto.

Segundo o economista-chefe da Austing Rating, Alex Agostini, é importante notar que, mesmo diante de um cenário internacional mais delicado, fatores internos tiveram mais peso na decisão divulgada nesta quarta-feira.

– No balanço de riscos, o cenário doméstico ainda se sobressai ante o cenário internacional, mas o Copom faz questão de deixar claro que o cenário externo não é mais benigno, embora não contamine o nosso cenário prospectivo.

O colegiado também voltou a ressaltar a importância das reformas econômicas, afirmando que a percepção de continuidade dessa agenda pelo mercado afeta as projeções para a economia:

– O processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia.  O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva.

Selic abaixo de 5%

O comunicado do Copom, na visão de economistas, abre espaço para um novo corte na Selic de 0,50 ponto percentual na próxima reunião e, no final do ano, mais um adicional entre 0,25 e 0,50. Com isso, a taxa ficará abaixo de 5% ainda em 2019.

Mas diferente da avaliação feita por Jair Bolsonaro, a trajetória de queda da Selic está atrelada a uma série de fatores que não refletem uma “economia dando certo”: atividade fraca, mercado de trabalho que não dá sinais de recuperação e economia global em desaceleração contribuindo para a ausência de pressão inflacionária no Brasil.

– O Copom deu a indicação bem direta que há espaço para continuar cortando a Selic além do consenso de 5%. Acho que podemos esperar uma Selic de 4,5% para o final desse ano e ela deve se manter ao longo de 2020 – explicou Maurício Oreng, economista-chefe do Rabobank no Brasil.

Oreng explica que, para reduzir os juros, o BC precisa estar com as expectativas de inflação ancoradas, ou seja, as projeções dentro ou abaixo da meta, que é o caso no momento. Além disso, mesmo com eventuais choques externos, como o aumento do preço do petróleo ou pressão no dólar, há pouco espaço para repasse de preços, uma vez que a economia se recupera de forma lenta e a ociosidade ainda é elevada.

– O efeito do câmbio nos preços está limitado e, além disso, com dólar mais alto, as importações tendem a andar menos. Isso também contribui para que a ociosidade econômica fique mais prolongada – acrescentou.

Mesmo com juro mais baixo, as projeções de crescimento do Rabobank foram mantidas em 0,7% para esse ano e 2% para 2020.

Flávio Serrano, economista-chefe do banco Haitong, também acredita em uma Selic abaixo dos 5% – a projeção anterior era que terminasse o ano em 5,25% ao ano.

– Mesmo um aumento da gasolina teria pouco impacto, dado a condição de ociosidade da economia. A inflação só ocorre se você consegue transferir esses aumentos para os demais preços da economia – disse.

O Haitong vê a Selic terminar o ano em 4,75% e seguir nesse patamar até o final de 2020. A partir de 2021, com a economia crescendo a um ritmo mais forte, a taxa subiria para algo em torno de 6,5%. O banco espera ainda que o PIB cresça até 0,9% neste ano e 2% no ano que vem.

O Bradesco, antes mesmo da reunião do Copom, já espera uma Selic de 4,75% até o final de 2019. Uma nova projeção ainda não foi divulgada.

O efeito desse juro baixo, no entanto, só começar a fazer efeito na economia em 2021. Luis Gustavo Pereira, estrategista-chefe da Guide Investimentos, lembra que as ações de política monetária levam de seis a 18 meses para fazerem efeitos na atividade.

– A redução da Selic estimula a economia, mas é de forma lenta, de seis a 18 meses. Esse corte de agora vai começar a fazer efeito na economia real dentro de 12 ou 18 meses, ou seja, vai estar ajudando o crescimento potencial do final de 2020 e de 2021 – afirmou.

Economia fraca

A definição do Copom se dá num cenário em que a economia continua enfraquecida, e o nível de desemprego ainda é alto. Entre abril e junho, o PIB avançou 0,4% em relação aos três primeiros meses do ano, acima das expectativas das expectativas do mercado. Os dados do Banco Central, porém, indicaram uma retração de 0,16% no nível de atividade econômica do país em julho.

Segundo a pesquisa Focus do Banco Central, que ouve mais de 100 instituições financeiras semanalmente, a previsão para o PIB de 2019 é de apenas 0,87%. A projeção de crescimento calculada pelo ministério da Economia é semelhante, e foi ajustada de 0,81% para 0,85% na semana passada.

O comunicado do Comitê também atualizou suas projeções para a inflação. Considerando o cenário previsto pelo mercado, o BC reduziu sua projeção para o IPCA, o índice oficial de preços, de 3,6% de para 3,4% em 2019. Para o ano que vem, a expectativa permanece em 3,6%.

fonte: oglobo.globo.com

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