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Petrobras questiona Minas e Energia após falas de Bolsonaro sobre reajustes

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A Petrobras informou que enviou questionamentos ao governo sobre declaração do presidente Jair Bolsonaro, que disse nessa 4ª feira (7.abr.2021) que um reajuste de 39% no preço do gás natural é “inadmissível”. Além disso, apesar de negar interferência na estatal, o presidente disse que poderia haver mudanças na política de preços da companhia.

“A Petrobras (…) informa que indagou o seu acionista controlador, por meio do Ministério de Minas e Energia, ao qual a companhia está vinculada, de acordo com a Lei 9.478/1997, sobre a existência de informações relevantes que deveriam ser divulgadas ao mercado”, afirmou, em comunicado ao mercado na noite dessa 4ª feira (7.abr). Eis a íntegra (318 KB).

“Até o momento, a companhia não recebeu resposta do MME”, acrescentou a Petrobras no comunicado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

As declarações de Bolsonaro foram feitas durante a posse do novo diretor-geral brasileiro da usina Itaipu Binacional, o general da reserva João Francisco Ferreira. Ele substituirá Joaquim Silva e Luna, que foi indicado para presidir a Petrobras. Na ocasião, Bolsonaro disse ainda que não vai interferir na petrolífera, mas que pode “mudar essa política de preço lá”.

“Ele [Silva e Luna] sabe que é uma empresa que, mais do que transparência, precisa de previsibilidade. É inadmissível se anunciar agora, o velho presidente [Roberto Castello Branco] ainda, o reajuste de 39% no gás. É inadmissível. Que contratos são esses? Que acordos foram esses? Foram feitos pensando no Brasil num período de 3 meses? Não vou interferir. A imprensa vai dizer o contrário, mas podemos mudar essa política de preço lá”, afirmou em referência à alta anunciada para maio. Na 2ª feira (5.abr), o Poder360 antecipou o reajuste.

 

Os preços da Petrobras acompanham o mercado internacional e sofrem interferências do preço do petróleo no exterior e da valorização do dólar. Ao valor do combustível vendido nas refinarias adiciona-se ainda os impostos federais e estaduais, custos para compra e mistura de etanol anidro, além das margens das distribuidoras e postos de combustíveis.

O presidente cobrou ainda a aprovação do projeto de lei que modifica a cobrança do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) que incide sobre o preço dos combustíveis. Ele admitiu que a proposta não foi pautada pelo próprio governo, mas afirmou que isso deve ser feito nos próximos 15 ou 20 dias.

“O que nós queremos é transparência. Vocês têm que saber o quanto o governo federal arrecada e quanto os governadores arrecadam com o mesmo combustível. Que cheguem num acordo. Que não seja um valor único, mas que seja um valor fixado em cada Estado e que cada governador se responsabilize”, disse.

O governo sofreu pressão dos caminhoneiros –uma das categorias que apoiou Bolsonaro em 2018– por conta da alta de preços. O entendimento do atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, de que a questão não seria um problema da estatal fez com que Bolsonaro o demitisse. A saída deve ser formalizada em reunião na próxima 2ª feira (12.abr.2021).

Autor: Poder 360

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