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“Vocês estão na fase de transmissão intensa”, afirma Mandetta sobre o RS

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Em conversa no “Timeline”, ex-ministro lembrou que só se pode dizer que uma região chegou ao pico da covid-19 após estabilização do número de casos

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou nesta quinta-feira (14) que o Rio Grande do Sul passa por momento de transmissão intensa do coronavírus. Em entrevista ao Timeline, ele lembrou que só é possível efetivamente dizer que uma região chegou ao pico da covid-19 após uma estabilização do número de casos — o que não está ocorrendo no Estado.

— Vocês estão na fase de transmissão intensa. Essa fase tem um tempo que vai esgotar seus suscetíveis. E isso vai ocorrer, e nós só vamos saber se a semana de hoje é o pico, se ainda temos o que crescer depois que essa doença claramente der sinais de estabilização. Por enquanto, ela dá sinais de aumento, dia após dia — disse.

O ministro também defendeu que o fechamento mais rigoroso é necessário para conter o avanço da doença. Embora o Rio Grande do Sul tenha começado com uma base de infectados mais baixa, Mandetta lembrou que este é o Estado com o maior número de idosos do Brasil.

— Eu vi o plano do RS, (…) ele é um meio termo. Só que agora, esse momento é o momento que vocês estão entrando na fase de transmissão intensa, como é típico no Rio Grande do Sul no inverno. O inverno no RS leva as pessoas, nos meses de junho até agosto, para os hospitais com síndromes respiratórias agudas. Esse ano, além da média histórica, tem a epidemia de um vírus inédito agressivo — ressaltou.

De acordo com ele, é possível identificar o quão perto do pico um local está quando cerca de 20% das pessoas estão com anticorpos. Para saber isso, contudo, é necessário haver testagem.

— As pessoas que querem acreditar que não existe nada, eu já escutei (dizerem) “deixa todo mundo pegar” (…) Seria uma carnificina, uma tragédia. Esse vírus, se a letalidade dele individualmente não é elevada, a letalidade para o sistema de saúde é intensa, ele derruba o sistema. A pessoa que tiver uma apendicite vai bater na porta do sistema e não vai conseguir entrar — explicou. — Morrem 1,3 mil pessoas no Brasil em 24 horas e eu vejo pessoas falando que é pouco. São 5 Boeings lotados caindo na nossa cabeça todo o dia e tem gente achando pouco — exclamou.

O ex-ministro afirmou que, ou se administra a velocidade com que a doença se alastra ou será registrado um número “macabro” de casos, sob aquilo que ele chamou de “falso dilema” de proteção à economia.

— Sociedades que não se protegem levam muito mais tempo para se recuperar, perdem a autoestima, porque parte do descaso à vida. — afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de fazer um confinamento mais localizado, em apenas determinadas áreas da cidade, Mandetta pontuou sobre a situação das periferias.

— Não conheço o nome das áreas de exclusão social, mas imagino que aí em porto alegre vocês tenham áreas de concentração muito grande de pessoas, vocês já viram que essa doença vem para cima das nossas determinantes sociais. Muito fácil a gente falar não, nesse shopping só entra classe A e B, nós vamos medir a temperatura deles na porta e fica tudo bem. Não é assim que funciona. Somos uma sociedade, somos um todo, com todas as nossas diferenças — afirmou.

Recentemente, uma declaração do ministro do Supremo Tribunal Federal (STFGilmar Mendes gerou repercussão no mundo político e jurídico. Em referência às atuais políticas do Ministério da Saúde, chefiado interinamente pelo general Eduardo Pazuello, ele afirmou que “o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável”. Mandetta, contudo, discordou do termo utilizado.

— Eu acho que está todo mundo tentando. A imagem do Brasil lá fora, pela maneira que a gente verbalizou, que as imagens correram o mundo, do presidente abraçando pessoas, infelizmente é essa a imagem que o Brasil tem lá fora. Eu tenho feito entrevistas com redes internacionais e é impressionante como eles estão nos enxergando fora do Brasil. Para eles, inclusive, essa questão indígena de povos isolados, ele acham que está acontecendo uma tragédia (…) Realmente os índios são mais frágeis, mas não tem um genocídio, é uma palavra muito forte — declarou.

Quanto aos medicamentos que estão sendo utilizados no combate à covid-19 mesmo sem estudos que apontem sua eficácia contra a doença, Mandetta afirmou que em todas as epidemias há a figura do vendedor do “xarope milagroso”.

— Quem deve estar gostando são os laboratórios que produzem essa cloroquina, porque viram suas vendas dispararem — afirmou.

Além disso, o ex-ministro lembrou que o Ministério da Saúde tem autorizado o uso desses fármacos em gestantes, mesmo sem ter feito estudos para determinar se é realmente seguro.

— O Ministério da Saúde foi tão irresponsável que autorizou o uso em mulheres grávidas, sem nunca ter feito estudo. A última vez que o Brasil fez isso, nos anos 1960, nós tivemos talidomida e falta de formação de braços e pernas no Brasil. Isso é muito do passado, o Ministério da Saúde autorizar o medicamento para gestantes sem teste. É uma irresponsabilidade — afirmou.

fonte: gauchazh.clicrbs.com.br

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